Silly Shepherds · tempo de leitura: aproximadamente 7 minutos
Tem dias em que você faz planos e a vida faz outros.
Quinta-feira, 3 de setembro. Cinco e quinze. Estou pronto para sair para passear. Odin e Zara já estão na porta. E então a porta ao lado da nossa casa se abre.
E uma pastora-belga-malinois pula nos meus braços.
Solta. Sem coleira. Sem nada.
Assim começou o dia 34.
🐾 A malinois perdida
Uma fêmea. No cio. Nervosa, mas não agressiva. Uma bela cadela, com um andar firme e alinhado.
Ainda tenho por perto a famosa cordinha de Odin — sim, aquela do primeiro dia — e a uso para prendê-la. Meus próprios cães vão para o quintal dos fundos. Primeiro, preciso deixar essa cadela em segurança.
Fui a dois endereços da rua onde sabia que havia malinois — ninguém a reconheceu. Avisei no aplicativo do bairro. No Facebook. E liguei para o serviço de proteção animal.
Nove pessoas na sua frente.
Vinte minutos depois, consegui explicar a situação. Eles viriam — mas poderia levar uma hora. E, se surgisse uma emergência no meio do caminho...
É aqui que preciso parar um instante. Porque estes são os Países Baixos em 2026. Gastamos rios de dinheiro com todo tipo de coisa, mas não conseguimos financiar direito a proteção animal para que as pessoas possam fazer seu trabalho. Uma vergonha. Vou parar por aqui, porque isso me deixa realmente irritado.
Por sorte, uma conhecida que mora mais acima na rua já tinha chamado a polícia. Por intermédio da filha dela, que trabalha na polícia de Maastricht, dois policiais vieram até nós. Pessoas excelentes. Não tinham um leitor de microchip — normalmente, só a unidade canina tem —, mas um também estava a caminho. O primeiro leitor não funcionou. O segundo, um modelo mais novo, conseguiu ler.
E, antes mesmo de o policial consultar quem era o responsável pela cadela, um homem entrou na rua.
A cadela demonstrou reconhecê-lo. Tutor encontrado. Dados trocados. Policiais de volta ao trabalho. Duas pessoas simpáticas e prestativas, fazendo seu trabalho como deve ser feito. Fica aqui meu agradecimento.
Duas horas depois. Meus próprios cães ainda não tinham passeado.
🐾 O que Odin fez — e o que me deixou orgulhoso
Enquanto tudo isso acontecia, Odin e Zara estavam no quintal dos fundos. Mais tarde, deixei que conhecessem a malinois por um instante.
Odin recebeu uma advertência porque quis cumprimentá-la com entusiasmo demais. E aceitou se afastar. Sem revidar. Sem piorar a situação. Simplesmente: tudo bem, recado entendido.
Mas o mais bonito daquele dia foi outra coisa.
Quando finalmente pude ir à mata com meus próprios cães — duas horas depois do planejado —, Odin não tinha feito suas necessidades no quintal. Embora tivesse feito isso durante semanas. Embora soubesse que, na casa do antigo tutor, era permitido.
Ele esperou. Por três horas.
Isso não é pouca coisa para um cão que, quatro semanas antes, andava com uma corda como guia.
🐾 O que mais aconteceu nesta semana
Dias 31 e 32 — Odin não fica mais indo atrás de Garry. Já sabe que Garry estabelece limites e respeita isso. A energia que quer gastar vai para Zara — e preciso continuar controlando, porque Zara não gosta de brincadeiras brutas. Mas, quando os dois pegam um graveto juntos? Aí brincam. Isso é progresso.
Dia 33 — Soltei Odin por um instante num trecho reto da mata. Ele e Zara brincaram bem juntos com gravetos. Esses momentos — simplesmente dois cães correndo e brincando juntos — fazem tudo valer a pena.
Dia 35 — Um senhor no espaço dos cães que também sempre teve pastores-alemães. Zara o cumprimentou com entusiasmo na hora. Odin manteve distância, mas estava menos receoso do que na vez anterior. Um pequeno passo.
Ainda no dia 35 — Fomos buscar Stella na escola. Odin não tinha feito suas necessidades na área industrial. Isso me pegou de surpresa — mas ele também precisa aprender a aproveitar a oportunidade quando ela aparece.
Dia 35 — o temporal — Achei que estava sendo esperto ao sair antes da pior parte da chuva. Caminhamos por mais de uma hora na mata. E então o céu desabou. Não foi uma chuva — foi uma cachoeira. Ficamos encharcados. Até os cães já não estavam gostando. Abrigar-se debaixo dos pinheiros não ajudou, porque o pior ainda estava por vir. Voltamos mais depressa para o carro — ainda faltavam vinte minutos de caminhada. Em casa, pegamos o soprador para cães. Zara: uma delícia. Odin: fica parado, mas preferia sair correndo.
Dia 36 — Fizemos duas vezes o percurso de 3 km pelo morro. Nos trechos retos, soltei Odin — farejando tranquilamente, sem aprontar. É esse Odin que estamos ajudando a desenvolver.
Dia 37 — Área para cães soltos em Landgraaf. Correr à vontade, brincar com gravetos, provocar Zara para brincar. Depois, banho nos dois — porque Odin ainda faz xixi nas próprias patas e já estava com cheiro pelo corpo inteiro. Zara adora água, então também entrou na festa.
🐾 Brincar — ainda estamos aprendendo
Esse ponto merece um espaço só para ele, com toda a sinceridade.
Odin brinca de forma bruta demais. Intensa demais. Empolgada demais. Os outros cães dão uma advertência. Zara vem se encostar em mim. E eu preciso intervir.
Isso é normal para um cão que nunca aprendeu como funciona a brincadeira com outros cães. Ele não conhece os sinais. Não sabe quando passa dos limites. Não entende por que outros cães de repente partem para cima quando ele chega correndo — porque, na cabeça dele, só quer brincar.
Ele está aprendendo. Devagar. Com os próprios cães — cada advertência traz uma informação. E comigo — cada vez que digo “calma” e ele para, o entendimento cresce um pouquinho.
Paciência. Repetição. Tempo.
🐾 Cinco semanas — o balanço
Cinco semanas atrás: uma corda como guia, quase um ataque a uma labradora, nenhum comando básico.
Agora: esperou três horas sem fazer cocô no quintal, mesmo com uma cadela desconhecida em casa. Aceitou tranquilamente uma advertência de uma pastora-belga-malinois. Ficou solto no espaço dos cães sem incidentes. Brincou com gravetos junto com Zara.
Estamos no caminho certo.
Não é rápido. Não é fácil. Mas estamos no caminho certo.
E isso basta.
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🔗 sillyshepherds.com
🐕 Nada de Wikipédia. Só a gente.
Isto não é um guia de treinamento. É o nosso diário sincero de um cão que merece uma segunda chance — e de um tutor que não desiste. Semana após semana. Passo a passo.






























