Silly Shepherds · tempo de leitura: aproximadamente 6 minutos
Duas vezes nesta semana as coisas deram errado. Duas vezes Odin saiu correndo atrás de alguma coisa enquanto eu chamava e ele não obedecia.
Duas vezes aprendi algo.
Porque treinar é isso. Não são só os dias bons — são justamente os dias ruins que mostram onde você ainda está.
🐾 Os ciclistas — dia 45
Mata de Strijthagen. Estou jogando gravetos. Odin está solto. E então eles aparecem — um grupo grande de ciclistas, no meio da mata, quando ninguém esperava.
Odin viu. E disparou atrás deles.
Chamar não adiantou. Gritar, eu não grito. Assobiei com dois dedos.
Ele voltou. Ofegante, mas voltou. Na hora.
Eu não podia puni-lo — porque ele tinha voltado. Essa é a regra. Voltar é sempre recompensado, mesmo quando já passou da hora. Um cão que aprende que voltar resulta em castigo não volta na próxima vez. E isso é mais perigoso do que qualquer outra coisa.
Então: carinho. Guia colocada. Voltar caminhando com calma.
Mas guardei a lição. Ciclistas na mata são um gatilho para Odin que eu ainda não tinha percebido. Agora eu sei.
🐾 O gato — dia 48
Naquela noite, no espaço dos cães. Ninguém à vista. Odin solto.
E então havia um gato bem no meio do caminho. Com uma postura de quem diz: pode vir.
Odin entendeu de outro jeito.
Antes que eu percebesse, ele já tinha disparado. Chamei — nada. Assobiei — nada. Assobiei de novo — nada. Ouvi o gato correndo entre os arbustos e fiquei aliviado por não estarem indo em direção à rua, mas Odin não voltava.
Só apareceu quando percebeu que o gato já tinha sumido.
Isso foi diferente do que aconteceu com os ciclistas. Não foi um “já estou indo” — foi um “terminei”. E essa diferença importa.
Deixei claro que estava decepcionado. Por um momento, não dei atenção a ele. E ele começou a me lamber — como se quisesse mostrar que estava arrependido.
É arrependimento de verdade? Provavelmente não no sentido humano. Mas ele percebe meu estado de espírito. Procura minha aprovação. E é justamente disso que preciso para continuar trabalhando com ele.
A lição desta semana: gatos na rua são uma categoria diferente da Lio em casa. Em casa, Lio faz parte da matilha. Lá fora, um gato é um animal desconhecido fugindo. Esse instinto não desaparece de uma hora para outra. Precisa de um treinamento específico.
🐾 O que mais aconteceu
Dia 48 — Bisho — Um labrador marrom, completamente maluco e ainda mais agitado que Odin. Os dois estavam à altura um do outro. Odin se divertiu como nunca. Mais um amigo — depois de Buka, o cão de caça, agora Bisho. O tutor de Garry já tinha ido embora com ele, porque os cães claramente não estavam mais nem aí para nós.
Isso também é progresso. Um cão que brinca feliz com outros cães — mesmo que ainda precise diminuir um pouco o ritmo — é muito diferente daquele de seis semanas atrás.
Dia 51 — O homem voltou de férias. Um cão que não obedece, um tutor que critica quem consegue deixar o próprio cão solto. Vou deixar por isso mesmo. Cães são animais de matilha. Deixe que brinquem. Que aprendam a linguagem dos outros cães. É o melhor que você pode fazer — desde que seja seguro.
O texugo — dia 46. Ele apareceu de novo. Odin também estava pronto. Mas seguimos em frente. Isso também conta.
🐾 Sete semanas — o balanço sincero
Sete semanas. Dois passos para trás nesta semana. Mas também:
Um cão que volta quando assobio com dois dedos — mesmo que já tenha passado da hora.
Um cão que, depois de uma decepção, procura aprovação em vez de se afastar.
Um cão que brinca com Bisho como se os dois se conhecessem há anos.
E um cão que, à noite, fica deitado ao meu lado, na própria manta, enquanto escrevo isto.
Esse é o verdadeiro balanço.
Na próxima semana — uma pequena prévia do que vem por aí. Acompanhe a gente para ver em primeira mão.
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🔗 sillyshepherds.com
🐕 Nada de Wikipédia. Só a gente.
Isto não é um guia de treinamento. É o nosso diário sincero de um cão que merece uma segunda chance — e de um tutor que não desiste. Semana após semana. Passo a passo.
Sumário
- 🐾 Os ciclistas — dia 45
- 🐾 O gato — dia 48
- 🐾 O que mais aconteceu
- 🐾 Sete semanas — o balanço sincero
- 📖 Nosso livro chegou — “A Linguagem do Pastor-Alemão”
📖 Nosso livro chegou — “A Linguagem do Pastor-Alemão”
Quase 30 anos de convivência com essa raça. Contados com sinceridade — de Schadow, a cadelinha do abrigo que ninguém queria, até Zara, nossa pastora-alemã de pelo longo que é um caos. E agora Odin, cuja história você acompanha aqui semana após semana.




























